VÍDEOS ATRASADOS

SEXTA FEIRA SANTA.
06 de abril de 2012

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SÁBADO SANTO: O SILÊNCIO DE DEUS.
07 de abril de 2012

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A VITÓRIA DE JESUS SOBRE O PECADO E SOBRE A MORTE.
08 de abril de 2012

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NA PÁSCOA, O QUE FOI GLODIFICADO POR DEUS PAI ?
09 de abril de 2012

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JESUS NÃO SE ENVERGONHA DA SUA PAIXÃO.
10 de Abril de 2012

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OS DISCÍPULOS DE EMAUS.
11 de Abril de 2012

JESUS LAVA OS NOSSOS PÉS AINDA HOJE.


05 de Abril de 2012

Neste curto espaço que tenho gostaria, nesta quinta-feira Santa, de dizer duas coisas.

Em primeiro lugar, a meus colegas sacerdotes; presbíteros como eu: a renovação que hoje se faz de todo o presbitério, com o próprio bispo, das promessas sacerdotais, não é simples recordação anual de nossa ordenação e não é simples exercício de piedade ou devoção pessoais.

No sacramento, cumpre-nos distinguir duas coisas, o próprio sacramento, isto é, o gesto visível, e a “res sacramenti”, isto é, a realidade que, através dele, nos é trazida, isto é, o sacramento do presbiterato, por razões de sua própria celebração, não mais se repete; é indelével. Porém, a “res sacramenti,” isto é, a realidade do sacramento, esta pode modificar-se, assumir e receber sempre novas proporções, sempre que o desejarmos e, portanto, uma renovação das promessas presbiterais hoje, não é simples recordação ou simples exercício piedoso, a “res sacramenti” pode modificar-se dentro de nós, padres.

A realidade sacramental pode modificar-se sim, e nós, hoje, podemos ser mais padres do que quando fomos ordenados; podemos estar mais unidos ao Cristo Pastor, do que em anos passados, ou até mesmo no momento de nossa ordenação sacerdotal. É desta maneira que esta promessa pode e deve hoje ser realizada.

Finalmente, na celebração noturna, na qual inicia-se o tríduo pascal, nós recordamos a instituição da eucaristia e a instituição da eucaristia é, para nós, um sacramento maior na Igreja porque, através dela, o calvário glorioso vem até nós, e a nós é dado possuir um sacrifício, o mesmo de Jesus, mas sempre atual, sempre presente, com o qual vamos a Deus e que oferecemos a Deus e, no qual, nos oferecemos a nós mesmos.

Jesus, a seguir, dá-nos Sua Carne a comer e Seu Sangue a beber: “quem come Minha Carne, e bebe o Meu Sangue, permanece em Mim, e Eu nele – disse Jesus no texto de João.” E, desta maneira, Jesus continua a lavar-nos os pés pessoalmente, pois cada vez que Se dá a nós na eucaristia, como nosso alimento, como nossa comida e bebida, nos está lavando os pés, nos está prestando um serviço, nos está preparando, para ingressar, com a veste branca batismal, e nós, padres, com a veste branca presbiteral também, no festim das bodas eternas.

Eu desejo uma celebração do tríduo pascal muito edificante e santa a todos que me veem e me escutam neste momento.(*)

DEUS ESPERA-NOS PACIENTEMENTE; MAS ATÉ QUANDO ?


OUTRO TEXTO

DEUS BATE À NOSSA PORTA E NOS ESPERA PACIENTEMENTE; MAS ATÉ QUANDO ?
30 de Março de 2012

O Evangelho de São João passou por sucessivas redações. Primitivamente, este Evangelho devia saltar do final do capítulo 10 ao capítulo 13; com  outras palavras: os capítulos 11 e 12 foram acrescentados mais tarde, em redação posterior. Quem lê o final do capítulo 10 ciente disso e dele salta imediatamente para o capítulo 13, obedecendo à primitiva redação, percebe que Jesus Cristo, após discussão cerrada com a oposição, Se oculta. A próxima vez em que Ele aparecer em público será quando, flagelado e coroado de espinhos, Pilatos O mostrará à multidão com as famosas palavras: “Eis o  Homem”, e todos gritarão: “Fora com Ele, crucifica-O”.

O texto evangélico que nos fala da última aparição pública de Jesus antes de Se ocultar oferece-nos uma lição. A Graça de Deus persegue-nos durante toda nossa vida. Jesus é Aquele que, perseverante, bate à nossa porta constantemente. Por quantos anos terá Ele batido em vão às portas do meu coração? Quanto tempo levei em inverno gelado, sem dar resposta a Deus? É possível que, por ocasião da Quaresma, a graça de Deus vença este gelo todo. Mas existe um limite para tudo, e nosso limite último é o final de nossa existência. Sabemos que naquele derradeiro dia terminará para nós o tempo do merecimento e o tempo de nossa grande opção a favor de Deus ou contra Ele.

Há um tempo em que o Senhor não Se cansa de bater à nossa porta e espera com paciência infinita uma resposta que muitas vezes não vem ou é postergada, mas esse tempo terá um fim, como diz o Apóstolo São Paulo: “Cada um colherá, então, aquilo que tiver semeado”. Existem os que semeiam na carne e os que semeiam no espírito. Tomemos cuidado para não zombarmos de Deus e não pensarmos que Sua misericórdia aceite caprichos. Sobretudo não especulemos sobre ela. (*)

JESUS ASSUME O NOME DE FILHO DE DEUS: EU SOU..


OUTRO TEXTO

MORTE:
PASSAGEM PARA A VIDA ETERNA
COM DEUS
29 de Março de 2012

“Em verdade, em verdade Eu vos digo, se alguém guardar a Minha palavra jamais verá a morte.” Quem nos transmite esta mensagem é Alguém que está para morrer; é Alguém que está para ser entregue, flagelado, cuspido, zombado, ridicularizado. É Alguém que está para ser pregado, com duros pregos, na Cruz.

“Se alguém guardar a Minha palavra, jamais verá a morte.” Nós perguntamos a Jesus: de que morte, Senhor, se trata? A que morte Te referes neste momento? Jesus, no momento da  meditação afirma e nos faz compreender que existe uma morte infinitamente pior do que a morte biológica: é a morte espiritual. É aquela que antecede a morte corporal. É o estado no qual uma pessoa permanece quando não se abre para Deus. É o estado de quem vive na inimizade de Deus. Quantos cristãos há que vivem longe de Deus, em seus próprios pecados? Estas pessoas correm o sério risco de, através da morte biológica, entrar no coração da morte que é a morte eterna – em outras palavras, a perdição, o inferno.

“Se alguém guardar a Minha palavra, jamais verá a morte.” Ou seja, o justo, aquele que ouve a Palavra de Deus e a põe em prática como Maria, morrerá sim. Morrerá de morte física, mas morrerá sem experimentar o que seja verdadeiramente a tragédia da morte. Porque nesse caso sua morte se transforma em passagem-páscoa para a vida eterna com Deus.

É preciso guardar agora Sua palavra. Jesus Cristo promete a todos nós que a morte será apenas passagem para a vida eterna. Mas isso com a condição de permitirmos à Sua Palavra descer no âmago do coração e lá produzir frutos de conversão e vida nova. (*)

QUANTO MAIS NOS APROXIMAMOS DE DEUS MAIS SOMOS LIVRES.


28 deMarço de 2012

OUTRO TEXTO:

“Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado”. Escravidão é uma palavra que não usamos com frequência; dizemos que o tempo da escravatura já terminou há mais de um século. É verdade que, em tempo de democracia e do reinado de todas as liberdades e direitos humanos, somos verdadeiramente livres? Quando noto, por exemplo, um jovem com dezoito ou dezenove anos com um cigarro na boca, tenho dó. Se aquele rapaz soubesse o mal que está fazendo a si próprio, se soubesse que se está tornando dependente do fumo, e o que lhe pode acontecer no futuro – isto não é abstrato, é real e comprovado pela ciência – ele pensaria muitas vezes antes de adquirir tal vício.

O pecado é sem comparação pior que o cigarro, e certos vícios pecaminosos destroem completamente o ser humano mesmo nesta vida. Pensemos em uma pessoa dependente da droga: que futuro possui? Pensemos em uma pessoa dependente do álcool e incapaz de se libertar dele, que futuro essa pessoa terá? Pois bem, esses exemplos servem para que façamos analogia com o pecado que, quando entra em nós e se torna vício, escraviza completamente nosso ser. É claro que o álcool em demasia é pecado e, objetivamente falando, o narcotráfico é um dos maiores  crimes que se cometem na humanidade. Todo pecado cometido, sobretudo quando passa a ser vício repetido e leva a pessoa a depender dele para sobreviver, é verdadeiro mal e destrói a própria existência. Podemos ler o texto de João com maior compreensão e cuidado: “Se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres”. Mas permitimos que Jesus exerça  Sua função libertadora em nossos corações?

Eis o tempo em que Deus entra particularmente em cada ser humano: este tempo é a Quaresma. Quanto mais nos aproximamos de Deus, maior sentimos nossa liberdade.(*)

A ELEVAÇÃO OU GLORIFICAÇÃO DE JESUS.


27 de Março de 2012

Na primeira leitura é conhecido o episódio de Moisés, que levanta uma serpente de bronze no deserto, para que judeus, que haviam murmurado contra Deus e sido picados por serpentes venenosas, não morressem, ao contemplar aquela serpente de bronze. Jesus Se refere a este texto no capítulo 3° deste Evangelho. No texto de hoje, não faz menção explícita da serpente de bronze do Livro dos Números, mas afirma que Ele também deve ser elevado.

E eu já tive ocasião de explicar, nestes dias Quaresmais, o que este Evangelista entende por elevação. A elevação, para João, dá-se em 3 etapas. Dizia – mas repito agora – que a primeira etapa foi dolorosa, da terra à cruz, na qual foi pregado; a segunda etapa consiste em elevar-Se da cruz à ressurreição; e a terceira e última etapa consiste em partir da ressurreição para a ascensão, à direita de Deus, no mais alto dos céus. A todas essas etapas o Evangelista denomina elevação e glorificação de Jesus e, para nós, surpreende que a primeira etapa, dolorosa, do chão à cruz, também seja, pelo Evangelista, denominada glorificação de Jesus.

Mas como, um sofrimento atroz, a pregação de Jesus na cruz, pode ser uma etapa gloriosa? Este mesmo Evangelista, nos capítulos referentes à ressurreição, fará menção das chagas gloriosas de Jesus, que permanecem até depois de Sua ressurreição. Com outras palavras, o Evangelista quer dizer que a morte de Jesus está, para sempre, impressa em Seu Ser, e até mesmo em Seu corpo ressuscitado. E este é Seu troféu.

Mas pode uma chaga tornar-se um troféu de Jesus? Sim, porque estas chagas serão, para sempre, ainda que glorificadas, o sinal mais forte do amor que não tem limites, porque não há maior amor, que dar a vida a seus amigos. Estas 5 chagas de Jesus são, para Ele, eternamente, o sinal de quanto Ele amou e de que fez Ele no excesso de amor por cada um de nós.

O autor do apocalipse fala a mesma linguagem, com palavras e símbolos diversos. Fala-nos de um cordeiro imolado, porém em pé, isto é, em atitude de ressurreição. E assim, em Sua glorificação, a partir da cruz, é que nós somos convidados a contemplar o excesso de amor que teve Jesus por nós, e Jesus não Se envergonhará jamais, de nos ter amado a esse ponto. (*)

DEUS INFINITO E ETERNO TORNOU-SE UM ATOMOZINHO.


26 de Março de 2012

Há exatos 9 meses da celebração do próximo Natal, nós hoje celebramos a solenidade da anunciação do Senhor. Propriamente, esta festa deveria ter sido celebrada ontem, mas por ser quinto domingo da Quaresma, havia precedência Quaresmal sobre esta solenidade.

Nós estamos tão acostumados a falar em Jesus Cristo, que não paramos sequer um minuto para refletir, profundamente, que significa Deus Onipotente, Transcendente, Incompreensível – e Sua Incompreensibilidade é o atributo de todos os atributos – Se transformar em um ser humano; em um átomo deste mundo?

Somente o Cristianismo tem esta afirmação fortíssima. Esta afirmação de Deus que Se faz homem, e habita em nossa história e no meio de nós, choca e escandaliza enormemente os Judeus, mas também choca e escandaliza enormemente os muçulmanos. Nem uns, nem os outros, são capazes de, sequer longinquamente, admitir que Deus, Transcendente, Onipotente e totalmente outro, Se tenha revestido de carne mortal, Se tenha tornado ser humano, para falar-nos desde dentro, para falar-nos a partir de nossa história, para sofrer nossos sofrimentos e para experimentar todas as nossas experiências, com exceção do pecado.

A encarnação de Deus é uma pedra de escândalo para muitos no Cristianismo, e só seremos Cristãos, se admitirmos – repito – que O Infinito, O Onipotente, O Transcendente, tranformou-Se em um atomozinho, em um galileo da baixa Galiléia, vivendo em Nazaré e trabalhando com as próprias mãos, para sustentar-Se e também sustentar Seus familiares.Este é o mistério da anunciação e da encarnação do Verbo.

E na solenidade de hoje, está presente também, embora secundariamente, Maria. Maria passa praticamente despercebida dos Evangelistas, embora São Lucas seja aquele que mais a leve em consideração. Maria fala pouquíssimo nos Evangelhos, mas a frase que pronuncia hoje, no final do texto, é uma frase que sintetiza toda a vida cristã. E se nós pudéssemos fazê-la nossa converdade, seríamos plenamente Cristãos:

“Eis a serva do Senhor; eis o servo do Senhor. Faça-se em mim, conforme a Vossa Vontade.” No dia em que isto for verdade em nossa vida, teremos iniciado a caminhada de cristãos verdadeiros. (*)

TODOS OS SERES HUMANOS PODEM SE APROXIMAR DE DEUS POR CAUSA DA GLORIFICAÇÃO DE JESUS.


25 de Março de 2012

Neste quinto domingo da Quaresma, temos o texto de São João que, a seu modo, transmite-nos a agonia de Jesus. Este Evangelista não conhece a cena da agonia no horto, como vem narrada nos Evangelistas sinóticos. Porém, antecipadamente, no final de Sua vida pública, está uma nota de profunda tristeza e perturbação interior de Jesus. Diz Ele o seguinte: “Minha Alma agora está perturbada. E que direi? Pai, salva-Me desta hora? Mas é precisamente para esta hora que eu vim. Pai glorifica o Teu nome.”

O mais importante deste texto é que o Evangelista, habilidosamente, une a Paixão de Jesus e Sua glorificação, com a presença de certos gregos que queriam ver Jesus. O texto narrativo nos diz que foram a André, e depois Felipe e André disseram a Jesus: “Havia uns gregos, não judeus, que gostariam de se encontrar com O Senhor”

Qual é a mensagem que daqui provem? Unida à glorificação de Jesus, em Sua hora presente, está a salvação do mundo não judaico. Os gregos, isto é, o helenista de então e os pagãos de todas as épocas, os seres humanos não judeus de nascimento, poderão aproximar-se de Deus, através de Jesus Cristo, porque Sua glorificação não se reverteu em salvação apenas para o povo da primeira aliança, mas reverteu-se em salvação para toda a humanidade.

Com outras palavras, Deus levou tão a sério a auto-entrega de Jesus, Deus a aceitou de tal maneira, que quis beneficiar, com ela, não só a porção judaica, mas toda a humanidade. E até hoje são milhões que se encontram ou podem se encontrar com O Deus Salvador, ao longo de suas vidas, através de Jesus Cristo, morto e glorificado.

Nós somos alguns desses; nós também fazemos parte desses gregos. Eles nos anteciparam. Por causa da paixão e morte, o Evangelho não conhece mais fronteiras; e vou mais adiante, os convidados da primeira hora recusaram-No – os judeus – e este Evangelho continua a ser anunciado a todo o mundo.

Todos os seres humanos, gregos e não gregos, podem se aproximar de Deus e da Salvação, através de um encontro pessoal, que não lhes é tirado ou excluído, de Jesus Cristo.(*)

O MELHOR CONHECIMENTO DE JESUS VEM DA ORAÇÃO E CONTEMPLAÇÃO.


24 de Março de 2012

A discussão ontem iniciada, prolonga-se no texto de hoje. “Não diz a Escritura que O Messias virá da estirpe de Davi e nascerá em Belém, aldeia de Davi”? Como então entender que esse Jesus provenha da Galiléia? Galiléia, Nazaré ou Belém não são regiões adequadas para se designar o local de proveniência de Jesus.

Sim, existem dois Evangelistas que afirmam ser o local de nascimento de Jesus Belém: São Mateus e São Lucas. Não sei se São João, o quarto Evangelista, conhecia essa tradição. Todos os Evangelistas falam que a proveniência de Jesus foi de Nazaré. Mas este Evangelista é mais profundo que os demais porque, enquanto os outros se fixam em Belém ou Nazaré, na Galiléia, este aqui vai mais longe e mostra que, provindo diretamente do Pai, provindo diretamente da Eternidade, de certa maneira, Jesus manda para os ares todos os esquemas com os quais gostavam ou queriam enquadrá-lo, como manda também para os ares, certas expectativas populares bíblicas, da época intertestamentária.

A verdade mais profunda que João, ironicamente, deseja transmitir ao leitor, fazendo com que o leitor não caia nesta artimanha, é a seguinte: Ele vem da Eternidade, Ele vem do seio do Pai, Ele vem diretamente de Deus, porque é Deus conosco. Estas discussões não existem mais, porem, existem pessoas hoje, que julgam conhecer suficientemente Jesus. Normalmente são católicos praticantes, e até devotos, mas é preciso insistir, que ninguém tem, nesse mundo, conhecimento pleno e direto de Jesus.

Em primeiro lugar não se obtém este conhecimento na teologia ou na cristologia, embora elas ajudem muito, quem pode dedicar-se a esse estudo. Mas em segundo lugar, e sobretudo, ela provém do debruçamento dócil sobre os textos da Escritura. O conhecimento de Jesus é fruto da oração, que se segue da leitura meditada da Escritura. O conhecimento mais profundo de Jesus é fruto de longa contemplação, sobretudo nestes dias da Quaresma, diante de Jesus pregado na cruz.

Porque não fazer esta experiência? Os santos podiam não ter, alguns deles ou diversos, teologia profunda. E, no entanto, graças à oração, graças à meditação silenciosa, graças à contemplação, adquiriram, por graça, conhecimento altíssimo de Jesus Cristo, que supera qualquer outro conhecimento livresco. Busquemos, para nosso bem, neste final de Quaresma, esse conhecimento de Jesus.(*)

JESUS AO MESMO TEMPO É O HOMEM CONHECIDO E O DEUS DESCONHECIDO.


23 de Março de 2012

No texto evangélico hoje apresentado, os judeus discutem entre si a respeito da proveniência do Cristo. A mesma coisa se dará, mais claramente ainda, no texto de amanhã. A respeito Desse Jesus, nós sabemos perfeitamente de onde vem mas, quando vier O Cristo, O Messias, ninguém sabe de onde Ele virá.

Havia à época intertestamentária, e no primeiro século de nossa era, uma expectativa polimorfa no meio judaico; havia quem esperasse O Messias descendente de Davi, e portanto real, mas como não havia reis há 6 séculos no interior do judaísmo, havia quem esperasse um messias sacerdotal, de linhagem Levítica, pois os sumos sacerdotes haviam assumido, há muito, as funções reais. Havia quem esperasse o profeta escatológico Elias, aquele que haveria de vir e havia quem não esperasse ninguém, a não ser um intervento direto de Deus, sem intermediação humana; eram os apocalípticos, que imaginavam que o Próprio Deus agiria de tal modo nos últimos dias, que colocaria Israel no centro de todas as Nações.

As expectativas eram diversificadas. Porém, havia também quem dissesse que o Messias viria de um lugar obscuro, ou melhor, de um lugar oculto, ignorado por todos. A conclusão deste texto é óbvia: “não pode, então, ser Jesus de Nazareth, pois Jesus, sabemos, perfeitamente, de onde vem; já ouvimos falar da aldeia chamada Nazareth.”

Mas o Evangelista joga com certa ironia: “eles conhecem e desconhecem a vida de Jesus; sabem a proveniência de Jesus e, ao mesmo tempo, a ignoram, porque, ao mesmo tempo em que falam que vem de Nazareth Jesus e, portanto, não pode ser O Messias, ignoram totalmente que, no fundo, O Messias não veio de Nazareth. O Messias veio do alto, O Messias veio de Deus, O Messias veio do Pai, O Messias veio do céu.”

Portanto, o Evangelista joga com esta incompreensão e com esta ignorância; ao mesmo tempo em que dão mostra de saber, manifestam a sua ignorância.

Jesus não é de Nazareth – repito – Jesus é do Pai; Jesus não vem de Nazareth, Jesus vem do Pai. Esta ignorância com relação à proveniência de Jesus, ainda hoje, embora de maneira diversa, circula entre nós. Quantos são aqueles que admitem que Jesus vem de Deus, que Jesus vem do Pai, que Jesus nos vem do alto? E, portanto, em Cristo, foi Deus eterno, transcendente e onipotente, que Se encarnou e assumiu um átomo – o corpo humano – para habitar entre nós.

Quem são aqueles que professam este ato de fé? O Deus que se fez carne e é carne ainda, glorificada, habitando no meio de nós? (*)

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